Zé Carlos Fonseca Júnior assume a Casa Civil e pretende dar novos ares a pasta

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Assessor especial da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, o diplomata José Carlos da Fonseca Júnior, o Zé Carlinhos, foi alçado à chefia da Casa Civil do governo Paulo Hartung. Da atração de investimentos ele parte para a missão da articulação política. A pasta tem atuação voltada, principalmente, aos deputados estaduais.

Mas, com a chegada de Fonseca Júnior, o perfil da secretaria pode ganhar uma nova nuance. “A ideia do governador, ao me convidar, é a de incorporar à Casa Civil as tarefas das quais estou me ocupando na área internacional de captação de investimentos”, conta o diplomata.

 

A relação com a Assembleia, imagina, deve contar com bastante diálogo. “Já tenho diálogo com a maioria dos deputados. Vou ver qual a contribuição que posso dar para manter o bom relacionamento do governo com a Assembleia”, diz.

 

Presidente do PSD no Espírito Santo, o agora homem forte da interlocução do governo estadual tem atuado intensamente nas costuras para as eleições municipais e marcou presença em diversas convenções partidárias. É provável que ele tenha que deixar o papel à frente da sigla. “Mas vou me inteirar disso somente amanhã (hoje). De qualquer forma, o vice do partido no Estado é o Neucimar Fraga, que poderá assumir o comando do partido e sem nenhuma descontinuidade”, avalia.

Na carreira na diplomacia, Fonseca Júnior atuou como embaixador em Mianmar e ministro conselheiro na Índia.

 

Zé Carlinhos também já foi deputado federal pelo PFL, de 1999 a 2003, e secretário da Fazenda no governo José Ignácio (1999-2002).

 

Justiça

Ele também sofreu alguns reveses na Justiça, como no último dia 24 de junho, ao ser condenado por peculato. A decisão é do juiz federal substituto Vitor Berger Coelho, da 1ª Vara Federal Criminal, e remonta ao ano de 2000, quando Fonseca Júnior comandava a Secretaria da Fazenda. Para o Ministério Público Federal, Zé Carlinhos contribuiu para que parte de uma doação feita por transferência de créditos de ICMS, que deveria ser destinada a investimentos em meio ambiente, tomasse outros caminhos.

O juiz condenou Fonseca Júnior a cinco anos e nove meses de prisão em regime semiaberto e à perda do cargo de diplomata. Na sentença, o juiz escreveu que “ele não tem condições de permanecer no exercício de qualquer cargo público.” Zé Carlinhos vai recorrer e lamenta que uma “história antiga”, tenha voltado à tona: “Isso está no primeiríssimo grau e cabe recurso.”

José Carlos da Fonseca Júnior conversou nesta segunda com A GAZETA. Confira:

 

Que perfil o senhor deve empregar na Casa Civil?

A ideia é agregar as tarefas das quais me ocupo na Secretaria de Desenvolvimento, voltadas à área internacional, que é a minha especialidade, para captação de investimentos. É juntar isso à área mais clássica do comando da Casa Civil, de interlocução com o Legislativo e os municípios.

A Casa Civil tem um papel eminentemente político. O governador quer que eu acrescente a articulação econômica. Vai ter esse lado internacional, que é a minha especialidade. Estamos às vésperas de uma missão a Singapura e a Holanda, na próxima segunda-feira (29). E vou acompanhar o governador na viagem.

 

Até por presidir um partido, o senhor tem atuado nas costuras políticas para as eleições municipais. Como vai ser agora?

Será um desafio. Vamos ver se sou bom diplomata (risos). A campanha é curta, pretendo visitar as cidades aos finais de semana, mas minha agenda da Casa Civil vai me demandar um alto grau de comprometimento. Temos também alguns aliados do governo que disputam entre si em algumas cidades. Vai ser mais um desafio para a Casa Civil.

 

Como imagina que será a interlocução com a Assembleia?Já tenho diálogo com a maioria dos deputados. Vou ver qual a contribuição que posso dar para manter o bom relacionamento do governo com a Assembleia.

Depois de atuar com José Ignácio, agora assume uma secretaria no governo Paulo Hartung …

 

Me considero aliado de Paulo Hartung desde 2002, quando voltei a atuar na Câmara. Na época, aliás, eu presidia um partido que não podia apoiar Hartung, devido à regra da verticalização, mas fizemos uma frente para apoiá-lo.

 

O senhor já sofreu ao menos duas condenações judiciais. Uma por peculato e outra por improbidade, no caso da Máfia das Sanguessugas, ainda em grau de recurso …

Tive uma vida política curta. Nunca tive problema com a Justiça antes e nem depois. Com tantos anos de vida pública, só durante um periodozinho da minha vida profissional que surgiram esses problemas, infelizmente fruto da disputa política ferrenha. Mas estou recorrendo.

Essa decisão (condenação por peculato) de um processo que já foi anulado, voltou à estaca zero e essa decisão é uma reedição de uma decisão antiga.

 

 

Fonte: GazetaOnline